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Qumica Nova na Escola
Vol. 43 No3
Agosto de 2021

Editorial

Vacinação e esperança de volta à normalidade

 

Com mais de 570.000 mortos, e ocupando, até o momento, o lugar de país com o segundo maior número de vítimas da covid-19 no mundo, o Brasil vem sendo tomado por profunda amargura e tristeza desde o início da pandemia. Não bastassem as vidas perdidas, a nação assiste estupefata ao surgimento de notícias que tratam de ilícitos vergonhosamente vinculados à crise sanitária, que incluem, dentre outros desatinos, irregularidades em respostas iniciais à conjuntura apresentada e nas compras de testes para detecção do vírus, assim como das próprias vacinas. Mais do que merecedores de informações que ajudem a manter a tranquilidade, os cidadãos brasileiros, finalmente, começam a se deparar com elas nos últimos dias. De fato, o número daqueles totalmente imunizados já ultrapassa os 25%, e mais de 57% da população recebeu a primeira dose da vacina. Nesse contexto, a esperança de dias melhores passa a se fazer presente, com a volta de cenas que, apesar de aparentemente banais, possuem atualmente valor inestimável, como os passeios com a família e com os amigos. Isso é um alento frente ao longo período de confinamento, embora não deva se caracterizar como estímulo à suspensão das medidas amplamente divulgadas de prevenção, como o uso de máscaras, especialmente diante do avanço da variante delta no país. Que possamos persistir a caminho da normalidade, o que, para nós educadores, implica na grande alegria de revermos os nossos estudantes e retomarmos as atividades presenciais nos ambientes de ensino de forma segura. Este número da Química Nova na Escola traz uma gama de artigos inspiradores, com potencial para tornar esse reencontro ainda mais prazeroso e enriquecedor.

Em um momento em que a mídia televisiva descortina para o mundo cenas estarrecedoras no Afeganistão, decorrentes da volta ao poder do grupo Talibã, a preocupação em relação aos direitos das mulheres é pauta de altíssima relevância. Nossos leitores encontram neste número elementos que subsidiam a reflexão sobre as relações de gênero e de poder no artigo Estado da arte: gênero e sexualidade no contexto do ensino de química. Nele, a partir de um mapeamento na literatura nacional, os autores buscam a promoção de questionamentos sobre a naturalização de determinadas desigualdades e o fomento à educação sexual na perspectiva dos direitos humanos.

Em alinhamento com a necessidade ainda presente de oferecimento de aulas remotas, dois artigos remetem à possibilidade do uso do computador como mediador na construção do conhecimento químico. O primeiro, Software Cidade do Átomo como instrumento didático no ensino de química, relata percepções de estudantes do ensino médio sobre o uso dessa ferramenta educacional na solução de problemas vinculados à produção de energia termonuclear. De forma similar, o segundo artigo, Jogo digital e o conceito de aleatoriedade: aplicação e potencialidades para o ensino e a aprendizagem, também traz as percepções, agora de licenciandos, sobre o conceito de aleatoriedade presente na teoria cinética dos gases e o potencial do jogo para o ensino e a aprendizagem.

Questões que ganham vulto em discussões recentes de educadores químicos, como o uso e a integração de diferentes modos semióticos na construção de significados e o papel da extensão universitária como meio de divulgação científica, também estão contempladas, respectivamente, nos artigos Abordagem multimodal: um olhar para os livros didáticos de química e Cientifi-CIDADE: estimulando a divulgação da ciência por meio da extensão universitária. Os autores do artigo referente à multimodalidade destacam que, dentre os vários modos semióticos presentes nos livros analisados, as imagens ganham protagonismo e demandam particular atenção no que tange à forma como são relacionadas com outros modos. Por sua vez, as ações do programa de extensão Cientifi-CIDADE, expostas no texto, podem nortear atividades que tenham como propósito o envolvimento de licenciandos na aproximação da população com o espaço universitário.

Relatos de ações didáticas concretizadas com base na experimentação também são encontrados nos artigos Galvanização: uma proposta para o ensino de eletroquímica e Uma visão multi e interdisciplinar a partir da prática de saponificação. Em ambos, o desenvolvimento das atividades busca priorizar o estabelecimento de relações entre o conhecimento científico e o conhecimento cotidiano, considerando o viés da interdisciplinaridade.

Neste número destaca-se ainda uma experiência poucas vezes registrada em Química Nova na Escola. Aqueles que apreciaram o assunto abordado no artigo Da ordem ao caos: uma reorientação das ciências e da química, publicado anteriormente nesta revista (v. 42, n. 4), serão positivamente surpreendidos com sua retomada pelos mesmos autores em Do caos à ordem: oscilações, padrões e auto-organização. Por fim, encerramos este Editorial prestando uma homenagem ao Professor Eduardo Motta Alves Peixoto, que nos deixou no mês passado. Peixoto foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Química (SBQ) e responsável pela criação das revistas Química Nova e Journal of the Brazilian Chemical Society. Colaborador de Química Nova na Escola desde o seu primeiro número, publicado em 1995, atuou por muitos anos como responsável pela seção Elemento Químico. Modestamente, dedicamos este número de QNEsc à memória do Professor Peixoto.

Desejamos uma ótima leitura e retomamos aqui o apelo para que, mesmo com a esperança de volta da normalidade que desponta no horizonte, nossos leitores e leitoras continuem se cuidando!


Paulo A. Porto
Salete L. Queiroz

Editores de QNEsc

Sociedade Brasileira de Qumica 2021

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on-line ISSN 2175-2699
impreso ISSN 0104-8899
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