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Qumica Nova na Escola
Vol. 35 No3
Agosto de 2013

Editorial

Recentemente, têm sido noticiadas propostas e avaliações de mudanças na organização da escola básica em diversas regiões do país. Em Brasília, por exemplo, algumas escolas adotaram o sistema de semestralidade de disciplinas no ensino médio, havendo relatos de resultados relevantes. No município de São Paulo, a prefeitura anunciou uma série de medidas a serem adotadas na rede municipal de ensino como a organização do ensino fundamental em três ciclos, mudanças no sistema de progressão continuada, além de medidas pontuais como a obrigatoriedade de avaliações bimestrais e de lições de casa para os alunos. Parece ser muito positivo que continuamente se façam reflexões e eventuais mudanças de rumo em vários aspectos dos currículos e da organização escolar nos diferentes níveis de ensino. Não podemos, no entanto, iludir-nos e acreditar que essas ações, tomadas isoladamente, serão a solução para os mais graves problemas da educação brasileira.

A educação no Brasil carece de investimentos na infraestrutura das escolas e, sobretudo, de valorização da carreira docente. Parece inacreditável que alguns estados da federação ainda remunerem seus professores abaixo do piso salarial estabelecido para a categoria. Esse é apenas um indício da desvalorização da carreira docente, que vai muito além da questão salarial, e que faz com que, ano após ano, milhares de licenciados abandonem, ou simplesmente sequer ingressem na carreira docente, em busca de melhores oportunidades e condições de trabalho mais dignas em outros setores. Reflexões e mudanças de rumos nas escolas são necessárias e muito bem-vindas, mas a educação brasileira ainda aguarda que os formuladores de políticas públicas se conscientizem da necessidade de estabelecê-la como efetiva prioridade, dedicando a ela os investimentos que essa decisão implica.

Vivemos, de fato, um período de significativas transformações no cenário educacional, incluindo mudanças não somente na química, mas em diversas áreas do conhecimento. Muitas delas são resultantes de exaustivas discussões sobre um amplo leque de questões que abarcam tanto a obrigatoriedade de as escolas receberem todos os jovens em idade escolar, de modo a tornar o ensino inclusivo, quanto o processo de elaboração de parâmetros curriculares nacionais e investigação da sua potencialidade na orientação de ações educativas. Desde a sua integração à linha editorial da SBQ, em 1995, Química Nova na Escola tem contribuído para a ocorrência de tais transformações por meio da constante veiculação de ideias inovadoras pertinentes à educação em química que questionam alguns modelos vigentes e impulsionam a proposição de outros novos, originais.

Nessa perspectiva, colocamos à disposição dos leitores desta revista mais um número que traz dois artigos que revisitam o tema da formação inicial de professores: A percepção dos licenciandos em química sobre o impacto do PIBID em sua formação para a docência e Visualizações no ensino de química: concepções de professores em formação inicial. A leitura favorece a reflexão sobre o impacto do PIBID na formação dos licenciandos e sobre a contribuição dos cursos de licenciatura no desenvolvimento de habilidades por parte dos alunos na utilização de representações visuais no ensino de química.

A identificação de dificuldades no processo de ensino e aprendizagem de química tem impulsionado o desenvolvimento e a aplicação de atividades didáticas promissoras na superação destas. No presente número, são abundantes e diversificadas as propostas idealizadas com esse propósito e que buscam romper com o modelo tradicional de ensino, dentre as quais, destacamos a descrita no artigo Pôquer dos elementos dos blocos s e p, de caráter essencialmente lúdico, e aquela pautada no uso de métodos cooperativos de aprendizagem articulados aos recursos computacionais, apresentada no artigo Softwares de simulação no ensino de atomística: experiências computacionais para evidenciar micromundos. Com ele, podemos conhecer um pouco mais sobre o funcionamento do método cooperativo de aprendizagem jigsaw, já abordado anteriormente em QNESC (2010) no contexto de aplicação de atividades experimentais para o ensino de cinética química e alvo de extensa investigação nas últimas décadas.

Desejamos a todos uma ótima leitura!

Os Editores.

Sociedade Brasileira de Qumica 2022

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impreso ISSN 0104-8899
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