Estamos vivendo o maior desafio de nossa geração. A história registrará o ano de 2020 como o da pandemia de covid-19, e as gerações futuras terão dificuldade para entender o que está acontecendo no Brasil de hoje. Ou – quem sabe? – no futuro tudo ficará muito claro.
De repente, há cientistas sendo entrevistados em TVs, rádios e redes sociais. Há um renovado interesse no que a ciência tem a dizer sobre a doença, sua prevenção e sua cura. Sobre os cientistas se depositam as esperanças de milhares, milhões de seres humanos de que logo haverá vacinas ou remédios que possam deter a pandemia e evitar mais mortes. No Brasil, a maior parte dos cientistas se encontra nas Universidades e outras instituições públicas de pesquisa. Nelas, assistimos a um grande esforço para resistir à pandemia. Vemos nossos colegas químicos participando desses esforços de muitas maneiras: por exemplo, produzindo álcool em gel para hospitais, produzindo insumos para as pesquisas biomédicas, compartilhando equipamentos, reagentes e mão de obra qualificada, divulgando informações, etc. Poderíamos fazer mais, se nossas instituições públicas de ensino e pesquisa não estivessem sofrendo tantos cortes de verbas e bolsas, ou se não houvessem sido transformadas em inimigas da nação, por supostamente serem antros de “balbúrdia”, locais de “plantações extensivas de maconha” e de produção de “drogas sintéticas” em seus laboratórios de Química.
Enquanto não existe vacina ou remédio eficaz, cientistas e médicos recomendam prudência: evitar o contágio pelo isolamento social. Muitos, porém, revoltam-se contra a prudência, contra a medicina, contra a ciência: clamam pela volta ao trabalho, pela volta a uma ilusória normalidade. Alguns o fazem pela ganância, acreditando que a paralização da economia se deve ao isolamento social e não à pandemia. Outros o fazem por desconhecer o que está em jogo, ou por estarem iludidos por mentiras (hoje pomposamente chamadas de fake news) espalhadas pelas redes sociais. Como resultado da desinformação, no momento em que escrevemos este Editorial, a covid-19 se alastra quase sem controle por grande parte do território brasileiro. O noticiário da mídia comercial se divide entre a pandemia e uma permanente crise política, com personagens se digladiando com acusações de corrupção e traição, e diferentes instituições da República disputando espaços de poder. Entre mentiras e disputas pessoais, não se discute, porém, a causa fundamental de um sistema educacional que não consegue reverter a ignorância sistêmica, da miséria que impede o isolamento social e favorece o contágio descontrolado, do subfinanciamento dos sistemas públicos de saúde e de pesquisa que poderiam poupar muitas vidas: o modelo econômico que concentra cada vez mais a riqueza nas mãos de uns poucos (indivíduos e países), aprofundando o abismo social tão evidente no Brasil, mas que vem se alastrando pelo mundo. Assoberbados por suas consequências, deixamos de enxergar a causa. A superação deste momento terrível exigirá muito de cada um de nós.
Diante de tudo isso, pode parecer fútil nosso esforço em apresentar resultados de pesquisas e experiências para a melhoria do Ensino de Química. Não podemos, porém, desanimar nem perder de vista a importância de cada pequena contribuição da pesquisa e da educação para a disseminação do pensamento crítico, tão necessário neste momento. Nesse sentido, Química Nova na Escola prossegue em sua missão oferecendo aos leitores mais um número com variedade de assuntos e abordagens. A argumentação, fundamental para a construção e consolidação do pensamento crítico e tema de estudo de crescente importância no contexto do ensino de ciências, está presente em dois artigos: um deles investiga o ensino superior (“Análise de interações discursivas e ações verbais entre estudantes do nível superior de Química: um diálogo sobre a argumentação e a aprendizagem”), enquanto o outro focaliza alunos de um curso técnico integrado de nível médio (“Desenvolvimento da argumentação em uma sequência de ensino investigativa sobre termoelétrica”). Diferentes recursos vêm sendo mobilizados para atrair o interesse dos jovens para a ciência, o que se mostra tão necessário na atualidade. Nesta edição, dois artigos recorrem a contextos que podem promover a motivação dos estudantes. O primeiro remete ao universo dos livros e filmes de Harry Potter (“Alquimia em Hogwarts: A Magia e o Ensino de Química”); o segundo, à elucidação de casos policiais (“Investigação Criminal e Química Forense: espaço não formal de aprendizagem investigativa”). As múltiplas possibilidades de exploração do potencial didático dos laboratórios estão representadas pelos artigos: “Abordagem teórico-experimental entre Química e Matemática utilizando práticas laboratoriais” e “O Diagrama Heurístico em atividades experimentais baseadas em problemas no Ensino Superior de Química”. Além deles, um terceiro artigo sugere relacionar a experimentação a aspectos da cultura afrobrasileira: “Química Experimental e a Lei 10.639/2003: a inserção da história e cultura africana e afro-brasileira no ensino de Química”. Também o uso de tecnologia na sala de aula pode gerar mais envolvimento das novas gerações, tão acostumadas aos dispositivos eletrônicos, como se apresenta no artigo “Kahoot! e Socrative como recursos para uma Aprendizagem Tecnológica Ativa gamificada no ensino de Química”. Para aqueles professores interessados em diferentes formas de promover uma participação mais ativa dos alunos nas aulas de Química, recomendamos a leitura de uma esclarecedora revisão de diversas abordagens no artigo “Problematização: possibilidades para o Ensino de Química”.
Desejamos que esta edição de QNEsc possa encontrar todos os seus leitores com saúde. Cuidem-se bem!
O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), com mais de vinte anos de existência, é porta de acesso para as instituições de ensino superior públicas no Brasil. A edição de 2019, cujos resultados das notas individuais foram divulgados em 17 de janeiro do corrente ano, muito longe de ser a melhor “de todos os tempos”, conforme alardeou o ocupante formal do cargo de ministro da educação, Abraham Weintraub, foi marcada por erro na correção. A falha no processo, que causou aflição aos estudantes, foi atribuída pelo governo à gráfica Valid Soluções e supostamente teria afetado 0,15% das 3,9 milhões de provas. Embora, em termos estatísticos, o número de prejudicados não tenha sido grande (supondo que o número divulgado seja verdadeiro), o erro não deixa de ser grave, pois diz respeito não somente à logística ou segurança do exame, mas a seus próprios fundamentos, que têm a correção como um dos seus elementos fulcrais.
Outra ação oriunda do Ministério da Educação que tambémcausou grande apreensão, desta vez aos cientistas de todo o país, foi a publicação da portaria 2.227, de 31 de dezembro de 2019. Esta limitava fortemente a participação de servidores públicos em eventos científicos nacionais e internacionais, o que fragilizaria o sistema de produção e circulação do conhecimento no Brasil. A exigência de revisão da portaria, feita por várias entidades, dentre as quais a Sociedade Brasileira de Química (SBQ), surtiu efeito, sendo a mesma revogada este mês – repetindo o recorrente padrão de medidas escandalosas ou absurdas tomadas e, em seguida, canceladas pelo atual governo federal.
O fato é que aflições e apreensões como essas atingem a nós, educadores, quase diariamente nos dias que correm no Brasil. O que dizer sobre o memorando da Secretaria de Educação de Rondônia, com ordem para recolher das escolas estaduais obras literárias clássicas, de autoria de Machado de Assis, Euclides da Cunha e Mário de Andrade, dentre outras do mesmo naipe? O que pensar ao ouvir as seguintes palavras do governador do Estado mais rico do país: “São Paulo não remunera professores para ficarem em casa tomando suco de laranja e sendo preguiçosos”?
Quando conquistas culturais e respeito aos educadores e cientistas passam a ser vistos como artigos de pouca relevância, faz-se necessário que ainda mais esforços sejam envidados na formação de cidadãos críticos e cientes de que somente repúdio merecem ações de censura à literatura e de pouco caso com a educação, assim como com a geração e difusão do conhecimento.
Este número da Química Nova na Escola, mais uma vez, contribui para a concretização dos esforços rumo à formação cidadã, trazendo aos leitores um amplo leque de artigos, dentre os quais estão aqueles acerca de atividades didáticas que possibilitam a realização de práticas docentes pautadas na história e cultura africana, na história da ciência e na abordagem inclusiva.
A cultura africana está presente no artigo “Leite em ‘Mama’ África e a Educação para as Relações Étnico-raciais (ERER) no ensino de química”, enquanto a história da ciência aparece no artigo “Explorando os conceitos de oxidação e redução a partir de algumas características da história da ciência”. A educação inclusiva, que traz desafios ao ensino de química, tendo em vista a abstração do conhecimento a ele inerente, é abordada no artigo “Práticas docentes que podem contribuir para a inserção de alunos com síndrome de Asperger: uma abordagem inclusiva para o ensino de química”. A síndrome de Asperger é alvo de atenção pela primeira vez em QNEsc, e o texto disponibiliza elementos que servem de subsídio ao professor quanto ao entendimento das individualidades dos educandos com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A aprendizagem baseada em jogos é assunto único na seção Relatos de Sala de Aula, na qual são abordados recursos que propiciam a integração da criatividade e colaboração nos ambientes de ensino. Enquanto o artigo “Um jogo didático para revisão de conceitos químicos e normas de segurança em laboratórios de química” é inspirado no tradicional “jogo dos sete erros”, o artigo “Escape room no ensino de química” relata experiência ainda pouco usual no contexto brasileiro, pautada no emprego de salas de fuga. Os jogadores precisam escapar dessas salas e só conseguem fazer isso após a resolução conjunta de determinados enigmas.
O caráter inovador também está presente, agora com relação aos recursos didáticos digitais, no artigo “Stop motion no ensino de química”. O stop motion, técnica de animação quadro a quadro, teve a sua apropriação por parte de licenciandos investigada, bem como as suas percepções na elaboração e na proposição de estratégias nela baseada. Os resultados indicaram que os estudantes se tornaram produtores de conteúdo e atuaram ativamente em todo o processo.
Na seção Experimentação no Ensino de Química, os leitores irão encontrar o artigo “Experimentação no ensino de células galvânicas para o ensino médio”, que relata experimentos elaborados a partir de uma questão de eletroquímica integrante da prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias do ENEM de 2017. Os experimentos são executados por meio de dois kits contendo pilhas comerciais e células galvânicas alternativas. O material utilizado para montagem dos kits é acessível e de baixo custo, de modo a que possam ser facilmente reproduzidos nas escolas de educação básica.
Três artigos de cunho teórico ainda compõem este número: o primeiro trata das contribuições do PIBID para a formação inicial de licenciandos em química, a partir da análise de dissertações e teses; o segundo propõe e valida categorias que explicitam e aracterizam concepções prévias de professores sobre o planejamento de ensino; e o terceiro apresenta as concepções de ciência e conhecimento científico expresso por Antonio Gramsci nos Cadernos do Cárcere, em seus aspectos epistemológico, social e político.
As más notícias para a educação brasileira parecem não ter fim. No dia 7 de novembro, o Conselho Nacional de Educação aprovou uma resolução que define novas Diretrizes Curriculares para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica. Importante lembrar que essa medida vem apenas quatro anos depois da Resolução CNE/CP 02/2015, que trata do mesmo assunto. Ou seja, mal houve tempo para que as Instituições de Ensino Superior se adaptassem às Diretrizes anteriores, e tudo muda novamente. Pior do que sua extemporaneidade, porém, é o próprio conteúdo das novas Diretrizes.
O Parecer que trata da novas Diretrizes inclui um diagnóstico de algumas das mazelas da educação brasileira. Entre elas, se aponta a falta de professores de Química e Física com formação adequada, ou seja, com Licenciatura nessas áreas. Também se menciona o “baixo valor social da carreira do magistério no Brasil”, acompanhado de dados sobre a defasagem salarial dos professores em relação a outras carreiras de nível superior e de comentários sobre a migração de licenciados para outras profissões. São citados dados estatísticos segundo os quais mais de 40% dos professores do ensino médio no Brasil trabalham em duas ou mais escolas, o que evidentemente prejudica seu compromisso com os projetos pedagógicos de cada instituição escolar. Nesse contexto, podemos mencionar um dado do Censo Escolar 2018 que não consta do referido Parecer, mas que é relevante: 40% dos professores das redes estaduais de ensino são temporários, o que contribui para a rotatividade de docentes nas escolas, desvalorização salarial, inexistência de carreira para esses profissionais e impossibilidade de construção de projetos pedagógicos consistentes.
Diante desses e de outros conhecidos problemas da educação brasileira (como a falta de infraestrutura básica nas escolas públicas, por exemplo), não deixa de ser curioso que um trecho do Parecer afirme: “a formação docente é o fator mais importante para a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem escolar dos estudantes.” Daí se justificaria a necessidade de novas Diretrizes, na peculiar lógica que orienta o Parecer.
Um dos aspectos que mais chama a atenção nas novas Diretrizes é seu caráter restritivo e impositivo, que contraria até mesmo o que seria um dos fundamentos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a saber, a possibilidade de os currículos se adequarem às diferentes realidades locais existentes no território brasileiro. O Parecer impõe uma distribuição única dos conteúdos curriculares e das horas de estágio ao longo dos quatro anos de curso, retirando das instituições de ensino superior a liberdade de organizarem seus currículos de acordo com projetos pedagógicos próprios e adequados à realidade de seus públicos.
Muitas outras críticas poderiam ser dirigidas a essas Diretrizes, como as que foram produzidas com muita propriedade pela ANPED (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação) e por entidades como a Associação Brasileira de Pesquisa em Ensino de Ciências (ABRAPEC), a Sociedade Brasileira de Ensino de Química (SBEnQ), a Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM), a Associação Brasileira de Ensino de Biologia (SBEnBio), entre muitas outras que se manifestaram contra essa reformulação da Resolução CNE/CP 02/2015.
A educação deve acompanhar a dinâmica da sociedade, e revisões curriculares periódicas são saudáveis e necessárias. O que não se pode concordar é que mudanças sejam feitas de maneira apressada e sem justificativas sólidas, ou motivadas por interesses outros que não os da maioria da população brasileira, de maneira a apenas desorganizar o sistema educacional.
Cumprindo com seus objetivos e dentro de suas possibilidades, Química Nova na Escola oferece neste número algumas contribuições positivas à formação docente na área de química, seja pela disseminação de resultados de pesquisas, seja pelo compartilhamento de experiências docentes. Nossa seção Relatos de sala de aula apresenta três artigos que oferecem exemplos bem sucedidos de inovações no ensino, abrangendo tendências atuais, como o uso da argumentação (no artigo “Atividade investigativa teórico-prática de Química para estimular o desenvolvimento de habilidades argumentativas e resolução de problemas”), a interdisciplinaridade (“O ambiente natural como recurso para promover um ensino interdisciplinar”) e a experimentação contextualizada (“Biogás na escola: laboratório sustentável e desenvolvimento crítico numa perspectiva CTS”). A experimentação auxiliando a reflexão sobre fontes de energia também está presente no artigo “Célula solar na escola: como construir uma célula solar sensibilizada por corantes naturais”. Além disso, outros artigos exploram as potencialidades de recursos como jogos multimídia e história da ciência (respectivamente, nos artigos “Alternate reality game [ARG]: breve histórico, definições e benefícios para os processos de ensino e aprendizagem da química” e “Humphry Davy e a natureza metálica do potássio e do sódio”) para o ensino. Questões da atualidade são objeto de investigação e podem motivar reflexões muito úteis para professores e alunos, nos artigos “A polêmica da fosfoetanolamina no ensino de química: articulações entre planejamento de ensino e a comunicação científica” e “Prêmio Nobel de Química de 2019 – láurea pelo desenvolvimento das baterias de íons lítio”. Outro exemplo de como resultados de pesquisa podem fornecer elementos para que os professores de química repensem o que ensinam e como ensinam pode ser encontrado no artigo “Tabela Periódica: concepções de estudantes ao longo do ensino médio”. Finalmente, a própria formação de professores é objeto de estudo em dois artigos: “A filosofia na formação de professores de química em Minas Gerais: o que se mostra nos componentes curriculares de licenciaturas em química?” e “Ser ou não ser professor: duas faces de uma graduação em Química”.
Que a leitura de mais esta edição sirva de inspiração e alento a todos os educadores em química do Brasil!
Mal se completou o primeiro semestre do atual governo, eleito em 2018, e os educadores e pesquisadores brasileiros já se depararam, repetidas vezes, com ações que os afligem e preocupam. No bojo dessas ações encontram-se elementos que dificultam a realização, nas Escolas e Universidades, de uma educação gratuita e de qualidade, entendida por muitos como processo primordial para propiciar a construção de uma sociedade mais justa, assim como de pesquisas com potencial para contribuir na resolução de problemas críticos do país.
Um breve retrospecto de algumas das referidas ações nos remete ao bloqueio financeiro, anunciado em abril pelo ocupante formal do cargo de ministro da educação, Abraham Weintraub, de 30% das dotações orçamentárias anuais das Universidades Federais que, segundo ele, estivessem promovendo “balbúrdia” em seus campi. Denunciado o escandaloso viés persecutório, o bloqueio foi posteriormente ampliado e aplicado a todas as Universidades. No mesmo mês, foi também comunicado pelo ministro um estudo para reduzir custos com cursos de Filosofia e Sociologia e disseminada, assim, a ideia medíocre de que o conhecimento, para ser valoroso, necessita encontrar utilidade imediata. Em julho, foi lançado o programa “Future-se”, que visa à implementação de um novo modelo de gestão para as Universidades e Institutos Federais (IFs), visto com ressalvas por grande parte dos reitores, e elaborado sem base na construção de um diálogo com as próprias Universidades e IFs. O mais recente bloqueio do Ministério da Educação, no montante de R$ 348,4 milhões, foi anunciado no mês de agosto, e atingiu a compra, produção e distribuição de material didático para a educação básica.
Situação não menos crítica vivencia a pesquisa no país. O corte orçamentário anunciado pelo governo federal, em março, atingiu 42% da verba dedicada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), sobre um orçamento já achatado nos dois anos anteriores. Isso causou a diminuição drástica do repasse de recursos ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), principal agência de fomento à pesquisa nacional. Como consequência, tornou-se recorrente a falta de regularidade no financiamento de recursos atrelados a editais fundamentais como o Universal, cujos coordenadores de projetos aprovados na Chamada Universal 2018 foram comunicados, em abril, da suspensão de implementação de novas bolsas. Mais uma suspensão de 4.500 bolsas foi anunciada este mês, sendo atingidas, principalmente, as de iniciação científica. Em um contínuo processo de agravamento da situação, João Luiz Filgueiras de Azevedo, presidente do CNPq, recentemente tornou pública a existência de um déficit no orçamento deste órgão, que inviabiliza o pagamento de mais de 80 mil bolsas, afirmando ao Jornal da USP: “vamos pagar as bolsas de agosto normalmente; mas de setembro em diante não tem como pagar mais nada. A folha de agosto, essencialmente, zera o nosso orçamento”.
Os cortes e as ações mencionadas conduzem a um cenário sombrio, que vem unindo a população contra o desmanche da educação e da ciência brasileira, tanto nas ruas – onde a palavra “balbúrdia” transformou-se em um grito de guerra dos “idiotas úteis” (como o presidente da república se referiu aos manifestantes que defendiam a educação e a ciência) – quanto em manifestos e cartas públicas assinadas por ex-Ministros da Educação, ex-Presidentes do CNPq, dirigentes de Universidades e de associações e sociedades científicas, dentre outros, inclusive no âmbito internacional. A demissão do Diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Ricardo Galvão, por divulgar dados verdadeiros sobre o crescente desmatamento da Amazônia deixou mais uma vez explícito o desprezo do atual governo pelo conhecimento científico.
Que ninguém se engane: as atitudes desse governo não resultam da incompetência, ignorância ou mesmo demência de seus ocupantes: são ações deliberadas visando à destruição do que se construiu na educação pública e no sistema de ciência e tecnologia do país ao longo de décadas. Cui prodest? A quem interessa?
A união de todos frente à desqualificação da educação e da pesquisa é imprescindível. Estes tempos tão difíceis têm desencadeado reflexões e atitudes positivas que trazem um pouco de luz ao contexto. Por exemplo, a divulgação para o público leigo dos objetivos e resultados das investigações realizadas nas Universidades, muitas delas financiadas pelo CNPq, concretizou-se de forma mais contundente nos últimos meses, cumprindo o importante papel de democratização do acesso ao conhecimento científico. A divulgação das pesquisas, por vezes, esteve associada aos referidos movimentos de protesto contra a situação vigente, e foi liderada principalmente por estudantes de graduação e pós-graduação das Universidades públicas.
Reflexões e ações dessa natureza, que resultam de questionamentos sobre a função do ensino e da pesquisa nos mais diversos espaços, são extremamente necessárias, e o leitor tem encontrado subsídios para a realização de tais exercícios na leitura de Química Nova na Escola. Dentre os artigos que compõem a presente edição, oferecemos como exemplos dois deles. Os artigos “Do Ferreiro a Magnetita: o Vídeo Educativo como Alternativa para a Implementação da Lei 10.639/03” e “O Tema ‘Alumínio’ nas Coleções do PNLD 2018: Uma Análise de Acordo com a Educação CTS”, em especial, trazem contribuições à discussão, tratando de inquietações vinculadas à natureza da ciência e como esta é apresentada aos estudantes – aspectos cuja compreensão favorecem a formação de um senso crítico mais apurado para o entendimento do momento conturbado em que vivemos.
Em 2019 são comemorados 150 anos da publicação da primeira Tabela Periódica dos elementos químicos por Dmitri Mendeleev (1834-1907). Para celebrar essa data, a ONU declarou 2019 como o Ano Internacional da Tabela Periódica (https://www.iypt2019.org/). Trata-se de uma ótima ocasião para se divulgar o conhecimento químico expresso pela Tabela e promover eventos que contribuam para popularizar a Química, como ocorreu no recente Ano Internacional da Química (2011). Embora o interesse seja motivado pelo número redondo do aniversário, é importante lembrar que a Tabela Periódica não foi criada em um dia específico. Um relato com características fantásticas, que pode ser encontrado em certas obras de divulgação da Química, conta que, em 17 de fevereiro de 1869, após um longo dia de trabalho tentando classificar os elementos químicos com o auxílio de cartões em que anotara seus símbolos e propriedades, Mendeleev adormeceu em sua mesa de trabalho. Sonhou então com a Tabela Periódica e, ao acordar, anotou-a imediatamente em um papel. Esse fantasioso relato não contribui para a compreensão do processo de construção da ciência. Em seu esforço para chegar a uma classificação, Mendeleev trabalhou durante anos na sistematização do conhecimento sobre os elementos químicos disponível em sua época, e seus esforços foram precedidos pelos de diversos outros estudiosos. É preciso também levar em consideração que a classificação periódica requer uma concepção de elemento químico que a torne possível – e isso passou pela definição de elemento como substância simples por Antoine Lavoisier (1743-1794) no final do século XVIII, e pela associação dessa ideia com o conceito de massas atômicas relativas, feita por John Dalton (1766-1844) no início do século seguinte. Também foi importante o desenvolvimento da pilha eletroquímica nessa época, o que possibilitou o isolamento de diversos elementos químicos. Já em 1820, Johannes Döbereiner (1780-1849) observou relações quantitativas entre as massas atômicas de tríades de elementos químicos com propriedades semelhantes (como cálcio, estrôncio e bário, por exemplo). Nas décadas seguintes, outros estudiosos propuseram formas de classificar os elementos químicos conhecidos levando em conta suas propriedades, entre os quais se pode citar Leopold Gmelin (1788-1853), William Odling (1829-1921), John Newlands (1837-1898), Alexandre Chancourtois (1820-1886) e Julius Lothar Meyer (1830-1895). Assim, a criação da Tabela Periódica pode constituir um bom exemplo para mostrar aos estudantes o caráter coletivo da ciência. Vale lembrar que Mendeleev desenvolveu seu trabalho na Universidade de São Petersburgo, o que exemplifica a fundamental importância das instituições universitárias para o desenvolvimento científico, tecnológico e cultural de uma nação.
Além disso, é relevante destacar, em contextos didáticos, que a história da Tabela Periódica não termina como um triunfo incontestável de Mendeleev. Diversas questões se apresentaram como desafios à classificação proposta, tais como as decorrentes da descoberta da radioatividade, de elementos que não se “encaixavam” na Tabela (como ocorreu com o argônio, até que fosse inserido um grupo inteiramente novo na Tabela), ou da dificuldade de classificar as então chamadas “terras raras”. Tais desafios foram sendo superados com as contribuições de muitos outros cientistas. Um ponto marcante foram as contribuições teóricas de Antonius van den Broek (1870-1926) e experimentais de Henry Moseley (1887-1915), com as quais o número atômico passou a substituir a massa atômica como critério para o ordenamento dos elementos na Tabela Periódica. É possível ilustrar, assim, como o conhecimento científico não surge pronto e acabado como grandes feitos dos “gênios”, mas está sujeito continuamente a críticas, elaborações e reformulações. Não resulta, portanto, de revelações em sonhos ou adivinhações inspiradas, mas do trabalho cotidiano, diligente e criativo de milhares de cientistas no mundo inteiro. Se compreenderem essa imagem, talvez nossos estudantes passem a ver a ciência como um campo de atuação profissional no qual eles também podem vir a atuar e a contribuir para o desenvolvimento da sociedade brasileira, ajudando a substituir a ignorância e a credulidade por pensamento crítico e autônomo.
Esperamos que o leitor encontre, nos artigos que constituem este número de Química Nova na Escola, outros motivos de inspiração para sua atuação profissional na educação básica ou superior. Reflexões sobre a necessária renovação na formação de professores de química podem ser encontradas em três artigos: “O Jornal da Química como etapa inicial de abordagem problematizadora: proposta para ensino e formação de professores” (p. 139); “Saberes docentes compartilhados durante o estágio supervisionado: uma experiência com licenciandos em Química” (p. 156); e “Interfaces disciplinares no ensino de ciências: uma perspectiva docente” (p. 200). Contribuições para a temática da educação inclusiva também estão presentes nos artigos “Ensino de Química e codocência: interdependência docente/tradutor e intérprete de Língua de Sinais” (p. 162) e “Compreensões sobre a cegueira e as atividades experimentais no ensino de Química: quais as relações possíveis?” (p. 190). Diferentes metodologias para o ensino de Química são propostas e analisadas nos artigos “Produção de sabão no assentamento rural Monte Alegre: aspectos didáticos, sociais e ambientais” (p. 124); “Construção de objetos de aprendizagem para o ensino de Química” (p. 133); e “O método de estudo de caso como alternativa para o ensino de Química: um olhar para o Ensino Médio noturno” (p. 171). O uso da linguagem científica por estudantes do Ensino Médio é investigado em “Aprendizagem dos conceitos de ácidos e bases em um estudo sobre a linguagem” (p. 179). A transposição do conhecimento científico para os livros didáticos de Química é o foco do artigo “O conhecimento escolar: um estudo do tema Diagrama de Linus Pauling em livros didáticos de Química – 1960/1970” (p. 148).
Que essa variedade de assuntos e abordagens seja proveitosa para todos nossos leitores!
Nem mesmo alcançamos o final do primeiro bimestre de 2019 e já encaramos duas tragédias que comoveram a nação, causando tristeza, indignação e dor: o rompimento da barragem de rejeitos de minério da Vale, em Brumadinho, Minas Gerais, e o incêndio que atingiu o centro de treinamento Ninho do Urubu, em Vargem Grande, zona oeste do Rio de Janeiro. Ainda está fresco em nossa memória o desastre de Mariana, que guarda semelhanças perturbadoras com o de Brumadinho, ocorrido há pouco mais de três anos, também em Minas Gerais, quando rompeu a barragem do Fundão, da mineradora Samarco. Na ocasião, como agora, pagamos elevado preço pela negligência de empresas que operam em atividades de risco, incluindo vidas ceifadas, danos ambientais e o desespero dos que perderam entes queridos e bens materiais. Enquanto em Mariana foram dezenove mortos, em Brumadinho esse número deve ultrapassar três centenas. O derramamento da lama da barragem do Fundão sobre a Bacia do Rio Doce causou desastre ambiental sem precedentes, com efeitos sobre fauna e flora fluvial e marinha, sendo ainda cedo para que façamos afirmações seguras a respeito do impacto nefasto de mesma natureza decorrente do derramamento da lama da barragem do Córrego do Feijão, que avança pelo Rio Paraopeba.
No Ninho do Urubu, dez jogadores de futebol das categorias de base do Clube de Regatas Flamengo, com idade entre catorze e dezesseis anos, morreram, vítimas do incêndio no alojamento improvisado onde dormiam. Levaram consigo sonhos; seus talentos foram desperdiçados. É estarrecedor que o clube tenha permitido que fossem alojados em instalações precárias e sem condições de segurança. A negligência novamente marca presença nesse cenário macabro, onde irresponsabilidade e incompetência caminham de mãos dadas. Em ambos os casos, como já é de praxe, após tantas perdas, as engrenagens do poder se movimentaram: a Justiça do Estado de Minas Gerais, finalmente, proibiu a licitação de barragens de alteamento a montante, como as de Mariana e Brumadinho, e o centro de treinamento do Flamengo está fechado a menores, a pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro.
Lições importantes precisam ser extraídas e discutidas com nossos estudantes frente à dura realidade que se apresenta após episódios tão impactantes. Não somente no que diz respeito aos conteúdos de química que podem ser abarcados por eles, mas também no que tange à atenção a discursos, por vezes equivocados, que povoam a mídia, especialmente nesses momentos, em relação aos direitos dos cidadãos, aos deveres do Estado e à preservação do ambiente. Abordando, também em aulas de química, questões sociocientíficas, assim como éticas e morais, abrimos espaço para a argumentação e para o desenvolvimento do pensamento crítico dos estudantes, fundamental no Brasil de hoje, onde, mesmo frente a desastres como os aqui expostos, tramitam propostas no Congresso Nacional de flexibilização de normas de proteção ambiental. Somente quando pudermos contar com a atuação de número significativo de cidadãos verdadeiramente críticos teremos esperanças de que a sensação de impunidade não será sempre a única que nos restará diante das tragédias nacionais.
Os textos que compõem este número de Química Nova na Escola foram selecionados entre os trabalhos completos apresentados no XIX Encontro Nacional de Ensino de Química, realizado em Rio Branco, Acre, entre os dias 16 e 19 de julho de 2018. Todos eles trazem contribuições relevantes para os educadores químicos e foram encaminhados a assessores para avaliação, sendo que outros oito trabalhos selecionados serão publicados até o final do corrente ano. Destacamos aqui quatro dos artigos que compõem este conjunto inicial, nos quais os autores buscam a promoção de discussão de questões sociocientíficas, éticas e morais, assim como de reflexões que auxiliem a formação do senso crítico, em alinhamento com as considerações tecidas neste Editorial.
Questões sociocientíficas são abordadas nos artigos “Identificando compromissos epistemológicos, ontológicos e axiológicos em falas de licenciandos quando discutem uma questão sociocientífica” e “Análise do entendimento conceitual em uma sequência didática sobre o uso de pesticidas fundamentada na modelagem analógica”. No primeiro, as autoras analisaram a heterogeneidade de modos de pensar que emergiram na fala de alunos de licenciatura em química frente a uma questão sociocientífica vinculada a combustíveis e impactos ambientais. No segundo, as investigações giraram em torno de como a vivência de uma sequência didática, centrada na questão sociocientífica sobre o uso de pesticidas, influenciou o entendimento dos estudantes sobre o conceito de dispersão.
Questões éticas e morais foram tratadas no artigo “Sensibilidade moral de licenciandos em química diante de conflito ético na prática científica”, no qual os autores investigaram a sensibilidade moral de licenciandos em química, a partir das respostas empregadas por eles ao identificarem os diferentes aspectos morais da situação narrada no caso denominado Diane Archer, que envolve o plágio, conflito ético da prática científica.
Por fim, as autoras do artigo “Filme Robôs para discutir conceitos relacionados à ciência” escolheram a animação Robôs para abordar com os estudantes os diferentes conceitos químicos presentes nesse filme, e constataram a potencialidade do seu uso na promoção de reflexões que podem auxiliar na formação do senso crítico dos estudantes.
De acordo com dados do Censo Escolar 2017, divulgados em janeiro último, cerca de 10% das escolas brasileiras de ensino fundamental não contam com pelo menos um dos recursos básicos de infraestrutura: rede de água, energia elétrica ou rede de esgoto. Em 28% das escolas, a destinação dada ao lixo é a queima. Apenas 54% das escolas de ensino fundamental contam com biblioteca ou sala de leitura; 47% têm laboratório de informática; e 34% não dispõem de acesso à internet. A rede de escolas de ensino médio é bem menor e está em melhor situação. Ainda assim, cerca de 54% das escolas de ensino médio não contam com laboratório de ciências; 12% não têm biblioteca ou sala de leitura; e 23% não dispõem de quadra de esportes.
No que se refere aos docentes que atuam no ensino médio, 35% dos professores de química não têm formação na área; entre os professores de física, cerca de 55% não têm formação específica nesse campo da ciência.1
Assim sendo, gostaríamos de sugerir a nossos legisladores e formuladores de políticas públicas que passem a defender projetos que enfrentem os reais problemas das escolas brasileiras: Escola COM Rede de Água, Luz e Esgoto; Escola COM Biblioteca; Escola COM Sala de Informática e Internet; Escola COM Laboratório de Ciências; Escola COM Quadra de Esportes; Escola COM Professores Adequadamente Capacitados e Dignamente Remunerados.
No Brasil atual, os valores mais elementares de convivência em sociedade têm sido atacados. Pretende-se abolir a diversidade humana em favor de uma suposta “normalidade” baseada em fundamentalismo religioso, ignorando-se a separação entre Estado e religião. Ao contrário do que esses fundamentalistas gostariam, as pessoas são diferentes, e as múltiplas manifestações de identidade não deixarão de existir mesmo se deixarmos de falar sobre elas. Sob a máscara de uma falsa “neutralidade” da escola, pretende-se impedir que os estudantes utilizem o que aprendem na escola para mais bem compreenderem suas próprias vidas, mantendo uma antipedagógica separação entre o conhecimento escolar e o mundo a sua volta. Para isso, os arautos do obscurantismo se valem de um discurso sedutor para muitos, igualando e confundindo a ciência com a religião, a educação formal com os valores familiares, o pensamento crítico e reflexivo com a doutrinação, a censura com a neutralidade. Assim se desvia a atenção dos problemas que realmente prejudicam a educação brasileira.
Censurar a atividade docente é, de fato, negar o caráter público da escola, é negar a educação como dever do Estado, previsto em nossa Constituição Federal tão vilipendiada nos últimos anos. É parte de um processo mais geral, de negação do próprio papel do Estado na sociedade. Conquistas fundamentais da civilização, como a noção de Direitos Humanos, também são negadas e valoradas negativamente. Assistimos a um retorno à “lei das selvas”, pela qual os mais fortes (ou os mais bem adaptados ao ambiente) – no caso, os detentores de maior capital financeiro – sobrevivem, enquanto os mais fracos (ou menos adaptados) estão fadados a se esconder, ao medo diuturno, ao risco da extinção iminente. Por que estamos renunciando à nossa humanidade e abraçando a animalidade? Infelizmente, a maioria de nós, humanos brasileiros deste início de século XXI, sequer entenderá a pergunta, e seguiremos sem resposta.
Enquanto ainda podemos ensinar um pouco das ciências da Natureza – outra construção da civilização para dar sentido ao mundo em que vivemos, e para nos ajudar a sobreviver nele –, este número de Química Nova na Escola traz preciosas contribuições para aqueles que se dedicam à educação em química. Reflexões muito úteis sobre o significado da curiosidade no contexto didático, que podem contribuir para o desenvolvimento de um ensino que seja mais significativo para os estudantes, estão presentes no artigo “O valor pedagógico da curiosidade científica dos estudantes”. Três artigos constituem bons exemplos da articulação entre teoria e prática, incluindo sugestões de métodos e técnicas experimentais acessíveis aos professores: “A fotografia científica no ensino: considerações e possibilidades para as aulas de química”; “Corantes: uma abordagem com enfoque Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) usando Processos Oxidativos Avançados”; e “Extração de óleos essenciais por arraste a vapor: um kit experimental para o ensino de química”. Além da experimentação, o ensino e a aprendizagem podem receber relevantes contribuições das tecnologias da informação e da comunicação, cada vez mais presentes no cotidiano. Dois artigos nesta edição exploram diferentes aspectos dessas tecnologias, conforme o leitor poderá observar em “As videoaulas em foco: que contribuições podem oferecer para a aprendizagem de ligações químicas de estudantes da Educação Básica?”, e também em “O uso de multirrepresentação e ciclos de interação em uma aula virtual de química”. Uma vertente atual do ensino de ciências, relativa à investigação no contexto didático, comparece em dois artigos, que abordam o ensino de conceitos químicos fundamentais: “Uma sequência investigativa relacionada à discussão do conceito de ácido e base”; e “Aprendizagem ativo-colaborativo-interativa: inter‑relações e experimentação investigativa no ensino de eletroquímica”. Finalmente, esta edição traz também um artigo que utiliza mapas conceituais e uma estratégia lúdica para o estudo da classificação dos elementos químicos: “O uso de mapas conceituais no ensino da Tabela Periódica: um relato de experiência vivenciado no PIBID”. Lembramos que, no ano que vem, celebram-se 150 anos da publicação da primeira Tabela Periódica de Mendeleev. Que essa data comemorativa sirva de inspiração a nossos leitores para desenvolver abordagens criativas e inovadoras para o ensino da Tabela Periódica – não para sua memorização, mas para o efetivo entendimento de seu significado e das informações ali contidas. Artigos a respeito serão, como sempre, muito bem vindos!
Boa leitura!
Paulo Alves Porto Salete Linhares Queiroz
Editores de QNEsc
Nota 1Fonte: http://download.inep.gov.br/educacao_basica/censo_escolar/notas_estatisticas/2018/notas_estatisticas_Censo_Escolar_ 2017.pdf, acessado em Novembro 2018.
A expectativa com relação ao XIX Encontro Nacional de Ensino de Química (ENEQ), anunciada em nosso Editorial anterior, foi alcançada: o evento, de fato, fez história. Ocorrido entre os dias 16 e 19 de julho de 2018, na Universidade Federal do Acre, em Rio Branco, sob a coordenação geral de Adriano Antonio Silva e de Gahelyka Aghta Pantano Souza, o ENEQ contou com a inscrição de 504 trabalhos, sendo 466 aprovados nas modalidades pôster, MOMADIQ e comunicação oral. Dele participaram 442 pessoas, foram apresentados 416 trabalhos e foram oferecidas 2 palestras, 13 Experiências da Licenciatura em Foco, 7 oficinas e 22 minicursos. A sessão de divulgação de livros permitiu aos presentes o acesso a mais de 20 títulos sobre assuntos variados vinculados à educação em química, evidenciando a pujança da área. Esta pujança é, em grande parte, resultante da dedicação e empenho de professores como Wildson Luiz Pereira dos Santos, da Universidade de Brasília, com quem tivemos a satisfação de compartilhar a Editoria desta Revista entre 2013 e 2015, homenageado postumamente no evento. A atuação de Wildson é destacada neste número da QNEsc, na seção Cadernos de Pesquisa, idealizada pelo próprio, onde se revela a sua autoria na obra mais referenciada com enfoque Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) no ensino de química no Brasil: “Educação em Química: compromisso com a cidadania”.
Além de ter acontecido pela primeira vez na Região Norte do país, durante a realização do ENEQ foi criada a Sociedade Brasileira de Ensino de Química (SBEnQ), entidade ansiosamente esperada pela nossa comunidade, e que tem o propósito de acolher e representar professores e pesquisadores em ensino de química. Seu primeiro presidente, eleito na ocasião, é Gerson Mol, da Universidade de Brasília. A criação da SBEnQ ensejará oportunidades de desenvolvimento do ensino de química e das pesquisas na área, assim como a divulgação das mesmas. Que a SBEnQ tenha um futuro promissor e que venha a promover “transformações e mudanças no contexto educacional contemporâneo”, como indicava a temática escolhida para o ENEQ 2018!
O entusiasmo com que relatamos algumas das ações que foram desencadeadas no ENEQ também se faz presente na apresentação deste número da QNEsc, o qual traz artigos que estão associados a 9 seções distintas da Revista, conferindo‑lhe caráter bastante diversificado.
A abordagem CTS, investigada na seção Cadernos de Pesquisa, é retomada na seção Relatos de Sala de Aula em proposta que articula os ensinos de química, física, matemática e artes a partir da construção e do lançamento de foguetes. Na seção Ensino de Química e Multimídia, os autores do artigo “Ambiente Virtual de Aprendizagem para a aplicação de atividades didáticas pautadas na resolução de estudos de caso” apresentam ferramenta computacional que possibilita o oferecimento de uma nova roupagem para as atividades didáticas que se baseiam na resolução de casos investigativos. O destaque para as Novas Tecnologias de Informação e Computação (NTIC) é também encontrado na seção Química e Sociedade, no artigo “Energia, sociedade e meio ambiente no desenvolvimento de um biodigestor: a interdisciplinaridade e a tecnologia Arduino para atividades investigativas”, no qual a ferramenta blog foi útil para promover a aprendizagem envolvendo projeto de produção de biogás.
Reflexões sobre o uso de jogos no ensino de química, assunto abordado em muitas ocasiões da QNEsc, são apresentadas na seção Espaço Aberto, tendo em vista a proposição de uma linguagem que auxilie os profissionais atuantes nessa área de investigação. Em contraponto, na seção Ensino de Química em Foco os autores tratam da motivação do aluno no processo de ensino e aprendizagem, um tópico de interesse recente e que tem tomado vulto na área.
Com base em procedimento já observado em outras edições da Revista, os autores do artigo da seção História da Química, “Análise dos artigos sobre ‘Natureza da Ciência’ publicados na seção História da Química da Revista QNEsc entre 1995-2016”, tomaram como objeto de estudo textos dela oriundos com o propósito de analisar aqueles que salientam aspectos da construção do conhecimento científico para ensinar química.
Nas demais seções que completam a composição deste número, Experimentação no Ensino de Química e Conceitos Científicos em Destaque, estão os artigos: “Medindo a pressão osmótica de soluções em osmômetro construído com membrana de ovos de aves”, que fornece subsídios ao professor na realização de experimentos sobre a osmose; e “As muitas interpretações da entropia e a criação de um material didático para o ensino da interpretação probabilística da entropia”, que discute a origem do termo entropia e diferentes maneiras de interpretá-la.
O XIX Encontro Nacional de Ensino de Química (ENEQ) irá ocorrer de 16 a 19 de julho de 2018 na Universidade Federal do Acre (UFAC), em Rio Branco. O evento deste ano é promovido conjuntamente pela UFAC, pelo Instituto Federal do Acre (IFAC) e pela Secretaria Estadual de Educação (SEE). Esse encontro se reveste de importância histórica por diversos motivos - dentre eles, o fato de que o ENEQ irá se realizar pela primeira vez na Região Norte do país. Este fato revela não apenas a disseminação da pesquisa em ensino de química por todo o território nacional, mas também se tornou possível em consequência da expansão da rede pública de ensino superior ao longo da primeira e até meados da segunda década do presente século – crescimento que, nos dias atuais, não somente foi interrompido, mas convive com seríssimas ameaças de retrocesso.
Como tem ocorrido a cada dois anos, desde 1982, pesquisadores e professores – enfim, educadores em química – irão se encontrar para compartilhar experiências e debater as grandes questões da área. O momento atual mostra a necessidade de integração e união da comunidade de educadores químicos. Sucessivos ataques à liberdade de ensino e aprendizagem; operações policiais espetaculares, repercutidas pela mídia com o objetivo de conspurcar a imagem das Universidades junto à opinião pública; congelamento de verbas para educação; reforma do Ensino Médio na qual subjazem interesses inconfessáveis; precarização do trabalho dos professores, como consequência da reforma trabalhista – são alguns dos motivos que conclamam a reunião de todos os educadores em torno de objetivos comuns. No que tange ao ensino de ciências, é preciso que a voz de educadores qualificados em anos de dedicação à docência e à pesquisa se faça ouvir. O XIX ENEQ será uma grande oportunidade para o congraçamento e a organização dos educadores em química do Brasil, em defesa de ideias que merecem ser defendidas.
Enquanto o ENEQ não chega, apresentamos mais um número de Química Nova na Escola. Esta edição traz diversos exemplos que mostram como o ensino de química pode ser articulado com outras áreas do conhecimento, como a arte e, especialmente, a história, de modo a torná-lo mais significativo para os alunos e contribuir para a construção da cidadania crítica. Em “Arte na educação para as relações étnico-raciais: um diálogo com o ensino de química”, os autores sugerem a utilização de uma música e de uma pintura para motivar discussões a respeito de preconceito racial e do papel do negro na sociedade brasileira – buscando, ao mesmo tempo, estabelecer relações com conceitos de química que contribuam para o entendimento das questões envolvidas, como a pigmentação da pele humana e as propriedades do café que o levaram a ser cultivado em larga escala com mão de obra escrava no Brasil. No artigo “Análise do uso da analogia com o ‘pudim de passas’ guiado pelo TWA no ensino do modelo atômico de Thomson”, o modelo de ensino com analogias é utilizado para investigar a aprendizagem da versão disseminada em materiais didáticos para o que seria o modelo atômico de Thomson. Um aspecto diferente da história está presente no artigo “Destilação: uma sequência didática baseada na História da Ciência”, no qual é apresentada uma proposta para o ensino dessa técnica de separação muito utilizada em diferentes contextos. Esse conjunto de artigos mostra a riqueza de possibilidades para a aproximação entre a história da ciência e o ensino de química, uma interface na qual ainda há muito a ser explorado. O aproveitamento dessas possibilidades deverá passar cada vez mais pela apropriação de referenciais teóricos, especialmente de natureza historiográfica, por parte dos educadores em química.
Além da arte e da história, interfaces da química com aspectos políticos e ambientais são investigadas em diferentes artigos. Em “Efeito estufa e camada de ozônio sob a perspectiva da interação radiação-matéria, e uma abordagem dos acordos internacionais sobre o clima”, os autores sugerem formas de apresentar conteúdos de química de forma a contribuir para a compreensão de temas muito debatidos por suas implicações para a sociedade. Os dois artigos que constam da seção Experimentos no Ensino de Química descrevem práticas que podem ser utilizadas na discussão de questões ambientais. No caso de “Obtenção de celulose e produção de papel branqueado a partir do capim Brachiaria”, diversas implicações da produção de papel para o ambiente podem ser colocadas em discussão tendo como referência o experimento proposto. O artigo “Revisitando o experimento de viscosidade intrínseca de Shoemaker e Garland: uma abordagem ambiental”, por sua vez, mostra a construção de um minhocário e sua utilização para a biodegradação de um polímero por vermicompostagem – sugerindo possibilidades para o manejo de resíduos sólidos urbanos.
Diferentes formas de aproximar os conteúdos de química da realidade e dos interesses dos alunos também estão presentes nesta edição. A abordagem lúdica é examinada em “O jogo educativo como recurso interdisciplinar no ensino de química”, enquanto o potencial didático das histórias em quadrinhos é investigado no artigo “O envolvimento dos estudantes em aulas de ciências por meio da linguagem narrativa das histórias em quadrinhos”, apresentado na seção Cadernos de Pesquisa, que fecha o presente número de QNEsc.
Renovamos o convite para que todos os leitores de Química Nova na Escola estejam presentes no XIX ENEQ em Rio Branco, AC. Aos que não puderem comparecer, convidamos a estar atentos aos resultados desse Encontro histórico, e a participar dos debates que ali se vão desenvolver.
Protestos e incertezas marcam o início de 2018 no Brasil
Para onde quer que se olhe, no início deste ano, quando o assunto é a gestão da coisa pública, esbarramos em protestos. Estes ganharam vulto e vieram embrulhados em cores e formas exuberantes no Sambódromo da Avenida Marquês de Sapucaí, na capital carioca. Durante o carnaval, o povo, por meio da música e da dança, extravasa sentimentos, e foram sentimentos de rancor, pesar e revolta que estiveram expressos em muitas alas. A violência do dia a dia no Rio de Janeiro, onde 44 crianças morreram vítimas de balas perdidas desde 2007, segundo a ONG Rio de Paz, foi encenada na passarela em diferentes nuances. Associada a ela estiveram a precariedade nas condições de trabalho e o trabalho escravo propriamente dito, que desafortunadamente ainda encontra espaço no nosso maltratado país. Retratar mazelas nacionais como a desigualdade social, a manipulação da opinião pública por interesses contrários aos da maioria, o sucateamento da saúde pública, o uso indevido de impostos e a ganância de agentes públicos foi tarefa assumida e levada a cabo com propriedade e brilhantismo por Escolas de Samba renomadas. No início do ano também se escancarou a desfaçatez de juízes que defenderam a atribuição do chamado “auxílio moradia” a si próprios, que lhes permite receber acima do teto constitucional. Que garantia podem ter os cidadãos de que os juízes tomam suas decisões com base nas leis, e não conforme seus interesses pessoais, se são capazes de arrogarem a si privilégios destinados a burlar normas constitucionais? Concluído o que para muitos se traduz no “maior espetáculo da terra”, ecoa ainda mais fortemente a pergunta: como nos livrarmos de um Brasil mergulhado em profunda crise ética e moral, em um período no qual uma sucessão de escândalos conduz ao completo descrédito da classe dirigente?
Iniciamos 2018 não somente com protestos, mas também com muitas incertezas, dentre elas a de natureza eleitoral. A condenação em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dá margem a cenários de turbulência, com várias candidaturas nas eleições presidenciais e com votação pulverizada. Nesse contexto, até mesmo a presença no segundo turno de candidato que incita a prática do estupro não está descartada. São tempos de muitas dificuldades a enfrentar, quando, além da busca de avanços, é também crucial impedir retrocessos como os assistidos recentemente, com severos cortes de verbas promovidos pelo governo federal nas áreas de educação, saúde, segurança e ciência e tecnologia – em nome de pagar juros aos donos do capital financeiro.
Diante de tantas incógnitas, seguimos na nossa jornada de educadores. Os textos que compõem este número da QNEsc estão alinhados com tendências de transformação que permeiam a educação em ciências na atualidade, algumas delas dispostas em documentos curriculares oficiais. O destaque é para a inclusão da perspectiva histórica no ensino de química. Essa tendência, presente em três artigos, aponta para a necessidade de o ensino propiciar aos alunos o entendimento da ciência como uma construção social, suscetível a controvérsias e conflitos, comuns a qualquer atividade social. O primeiro deles (Discutindo o contexto das definições de ácido e base) aborda definições de ácido e base no contexto em que foram elaboradas por Arrhenius, Brønsted-Lowry e Lewis. O segundo (Uma história do antiatomismo: possibilidades para o ensino de química) chama a atenção para o papel das controvérsias científicas, a partir da apresentação de uma narrativa de cunho didático a respeito do antiatomismo. O terceiro (O ensino de equilíbrio químico a partir dos trabalhos do cientista alemão Fritz Haber na síntese da amônia e no programa de armas químicas durante a Primeira Guerra Mundial) relata a aplicação de uma sequência didática que visou à promoção de reflexões sobre aspectos sociais, políticos e econômicos da prática científica e foi pautada no uso de recursos variados como vídeos, listas de exercício e artigos publicados na QNEsc.
Aspectos atinentes às relações que se estabelecem entre identidade docente e o desenvolvimento do estágio nos cursos de licenciatura são investigadas no artigo Práxis e identidade docente: entrelaces no contexto da formação pela pesquisa na licenciatura em química. Para tanto, foram analisados 18 projetos pedagógicos de cursos de licenciatura em química, tendo como foco a construção da identidade docente na perspectiva da pesquisa. Os resultados indicaram que na maioria deles não se observa a pesquisa como eixo formativo.
Propostas de ensino que propiciam a abordagem de questões científicas e sociocientificas são encontradas nas seções “Relatos de Sala de Aula” e “Experimentação no Ensino de Química”. Nessa perspectiva, para trabalhar o conteúdo de funções orgânicas é sugerida a realização de atividade lúdica que consiste na adaptação do Jogo Perfil®, no artigo Pistas orgânicas: um jogo para o processo de ensino e aprendizagem da química. Em diferentes perspectivas, experimentos que favorecem a abordagem do problema de descarte descontrolado de filmes plásticos de polímeros, oriundos de petróleo, assim como da recomendação de dietas com indicações para a retirada do glúten da alimentação humana são sugeridos nos artigos: Desenvolvimento e caracterização de filmes biodegradáveis obtidos a partir de amido de milho: uma proposta experimental de produção de biofilmes em sala de aula e O glúten em questão.
A Revista Química Nova na Escola (QNEsc), com uma periodicidade trimestral, propõe-se a subsidiar o trabalho, a formação e a atualização da comunidade do Ensino de Química brasileiro. QNEsc integra-se à linha editorial da Sociedade Brasileira de Química, que publica também a revista Química Nova e o Journal of the Brazillian Chemical Society. Química Nova na Escola é um espaço aberto ao educador, suscitando debates e reflexões sobre o ensino e a aprendizagem de química. Assim, contribui para a tarefa fundamental de formar verdadeiros cidadãos. Nesse sentido, a Divisão de Ensino disponibiliza neste portal, na íntegra, e de forma totalmente gratuita, todos os artigos publicados no formato PDF. Estão disponíveis também os Cadernos Temáticos publicados desde 2001 pela Divisão de Ensino.
Comunicado
A Diretoria e o Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Química (SBQ) decidiram que os manuscritos submetidos à revista Química Nova na Escola (QNEsc) a partir de 1º. de setembro de 2016 seguirão a política das demais publicações da SBQ, segundo a qual os autores deverão contribuir com parte dos custos da publicação de seus artigos.
Cabe ressaltar que a cobrança será realizada apenas após a aprovação da publicação, de forma a deixar claro que esta iniciativa não tem nenhuma relação com a avaliação das submissões, que seguirá seu procedimento normal. Ou seja, nada é cobrado pela submissão do artigo.
O pagamento deverá ser efetuado em nome dos autores correspondentes, que terão direito a descontos se comprovarem ser associados ativos da SBQ. As seguintes taxas de publicação serão aplicadas (apenas após a aceitação do manuscrito pelos editores) aos manuscritos recebidos pelo sistema de submissão de QNEsc a partir do dia 01/09/2016.
• Autor correspondente não associado à SBQ: R$ 475,00 (sem desconto);
• Autor correspondente associado à SBQ que tenha quitadas as 2 anuidades mais recentes: R$ 285,00 (40% de desconto);
• Autor correspondente associado à SBQ que tenha quitadas as 5 anuidades mais recentes: R$ 95,00 (80% de desconto).
Caso o autor correspondente seja professor da rede pública de ensino básico, incidirá um desconto de 50% sobre os valores listados acima. Nesse caso, será solicitada uma declaração da direção da escola pública de ensino fundamental ou médio em que o professor trabalha, atestando seu vínculo empregatício.
Os pagamentos deverão ser feitos através de depósito ou transferência bancária, diretamente para a conta da SBQ/PubliSBQ.
Dados bancários:
Sociedade Brasileira de Química
CNPJ: 49.353.568/0001-85
Banco do Brasil
Agencia 2447-3
Conta Corrente 38064-4
É importante salientar que a SBQ continua responsável por cobrir parte significativa dos custos editoriais e de publicação de seus periódicos, em um esforço para manter essas taxas as mais baixas possíveis.
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Editores de QNEsc
Indexações
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